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Palavras soltas (22/01/2014 A Camélia)

Hoje apetece-me escrever. Hoje menos do que ontem. Ou talvez mais. Vou simplesmente escrever. Vou dar corpo letrado ao cheiro, esse sentido que por vezes deixa-nos enjoados. Mas outras há em que faz-nos sonhar acordados. Hoje de manhã a natureza chamava-me lá fora. Acho que nunca a havia visto assim. E lá estavas tu. Caída. Perdida. No meio do chão. Peguei-te. Eras a mais bela Camélia que eu alguma vez vi! Quis saber a que cheiravas. Quis saber o teu sabor através do cheiro. Aproximei-te do nariz e o ar inspirado atingiu a  abóbada do nariz. Huummm! Que fragância maravilhosa me esperava! Os meus receptores do olfacto deliraram. Senti-os tão, ou mais, entusiasmados do que eu! O sinal nervoso foi emitido com tamanha intensidade pelas fibras nervosas do nervo olfativo que, por momentos, o meu bolbo olfativo duvidou que tamanha magnificiência fosse real. Aquela fragância adocicada e suave nunca mais apagar-se-á da minha memória olfativa. Cheiravas tal qual uma flor. E eras uma. Uma Camélia. Mas de certeza que não eras uma Camélia qualquer. Em ti havia algo especial. Especial para mim. E em menos de um segundo dei por mim no mundo das nuvens a sonhar. E tudo isto porque peguei numa Camélia do chão para cheirar. Mas isso são já outras palavras soltas que mais tarde vos poderei contar.

Ana Reis

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