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Palavras soltas (18/03/2015 - A tal/ The One)

https://www.youtube.com/watch?v=-J7J_IWUhls As palavras soltas de hoje encontram-se estacionadas no meio de um dilema. Como é possível escolher no meio de todas as gotas de chuva a que é a melhor? Como posso descobrir no meio de tantas gotas de chuva a que contém menos quantidade de poluição? A que é menos ácida? A que é mais cristalina? A que é mais pura? A que caiu por engano no meio de tantas outras e sente-se completamente desenquadrada? Como escolher no meio de todas estas gotas de chuva a que preenche todos estes requisitos e muitos outros que, com o tempo, o meu cérebro consegue inventar à medida que se torna mais exigente, até com ele próprio? Sinto-as na minha mão. Talvez o meu tato seja tão sensível que  se torne capaz de detetar no meio de tantas gotas a Tal. Aquela que é a escolhida para ficar na minha mão. Aquela que é a escolhida para ficar comigo, atravessar os poros da minha pele e chegar até ao meu coração. Quantas gotas mais irão cair? Olho-as. Na verdade,...

Palavras soltas (04/03/2015 - Almofadas/ Pillows)

https://www.youtube.com/watch?v=obYCnrhibX4 As palavras soltas de hoje sentem-se estranhas. Há dias assim. Os meus músculos, hoje, apresentam uma tendência, quase natural, de mexerem-se involuntariamente. Ouço baterias por todo o lado a marcarem o ritmo da minha vida. Até o bater do meu coração faz com que o meu corpo sinta vontade de dançar ao seu ritmo. Um ritmo, por vezes, descontrolado. Um compasso que não marca os tempos com uma cadência que lhe seria própria da sua natureza. Hoje acordei. Acordei tal como faço todos os dias. Mas hoje acordei e dei um abraço à minha almofada. Estava com saudades dela. Estava com saudades do seu cheiro. Estava com saudades da sua textura, desde sempre, macia. Agarrei-a com os meus dois braços como se fosse uma despedida dolorosa ou um reencontro há muito aguardado. E soprei-lhe ao ouvido: "tinha saudades tuas". Ela não me respondeu mas eu sei que, bem lá no fundo das suas penas, ela também sentiu saudades minhas. E, neste abraço, ...

Palavras soltas (22/01/2015 - Corações/ Hearts)

https://www.youtube.com/watch?v=KWZGAExj-es A palavras soltas de hoje sentem-se cardiologistas. Porque há palavras que doem mais por não serem ditas com o coração. Porque há sentimentos que só o coração conhece e guarda-os bem longe do pensamento. Porque há coisas que nunca deveriam ser ditas com a cabeça... Porque os dias custam mais a passar quando as palavras são azedas. E, além do mais, faz crescer tecido necrosado no coração. Necrose. O tecido morre. O coração pára. O cérebro, por mais que lute, acaba por morrer também. Todo o corpo morre. Todo o corpo cai no chão e desaparece por mecanismos de decomposição da matéria. Matéria orgânica. Alimento para o sub-mundo. Alimento para aqueles que estão na base da cadeia alimentar. Ou estarão no topo? Deixa de existir corpo. Deixam de existir palavras. Deixa de existir sofrimento por palavras que nunca deveriam ter sido proferidas. Drama. Chamo a isto drama. Bem, mas isto já são outras palavras soltas. Ana Reis     h...

Palavras soltas (04/01/2014 -palavras/ words)

 https://www.youtube.com/watch?v=LrZhoqPEjns   As palavras soltas de hoje estão saudosas de escrever. Quem usa as palavras para contar aos outros as histórias da sua vida sente saudades quando as deixa de usar por alguns dias. E eu sinto saudades das minhas. Por isso mesmo falo-as. Por isso mesmo escrevo-as. E vou matando, assim, as saudades. Porque a saudade não compensa. E a ausência desassossega qualquer coração. A tristeza ocupa o lugar de todos aqueles sentimentos que existiram e que partiram ou, simplesmente, ficaram esquecidos, ou perdidos. Deixo a saudade invadir-me. A saudade invade-me e, dessa forma, torna-se mais simples escrever-vos estas simples palavras que tanto anseiam por vos contar as histórias da minha vida. Bem, mas isto já são outras palavras soltas. Ana Reis     https://www.youtube.com/watch?v=LrZhoqPEjns Today my words are nostalgic . Who uses words to tell others the stories of their life when they stop using them...

Palavras soltas (27/12/2014 - Amor próprio/ Love yourself)

https://www.youtube.com/watch?v=crrOl0egI00 As palavras soltas de hoje não podiam deixar de escrever mais uma vez antes da entrada do novo ano. Preparem-se para o novo ano. Maquilhem-se. Arranjem as unhas. Estiquem o cabelo. Corram mais um quilómetro por dia de forma a terem o peso que mais desejam. E tudo isto para quê? Para que gostem de vocês? Para que sejam aceites? Descubram o vosso lado mais sexy e deixem a vergonha de lado. Atirem-na para bem longe! É isto que toda a gente quer: que todos gostem de nós? Viajem para o local mais requintado e caro do mundo. Preparem-se e vistam-se a rigor. Vistam-se de valores que jamais pensaram algum dia vir a ter. Perfumem-se com aromas de sentimentos que jamais sentiram. Decorem-se com as jóias raras da educação. Viajem para o lugar mais requintado do mundo onde estão todos os amigos e familiares que tanto nos querem bem. Sejam mais do que aquilo que acham que são. Sejam pessoas melhores. E só assim serão respeitados e serão felizes e...

Palavras soltas (13/12/2014 - Estranhas/Strange)

https://www.youtube.com/watch?v=NEbu64Ej270 As palavras soltas de hoje sentem-se estranhas. É um misto de alegria e felicidade com tristeza e desilusão. Sim. É mais simples do que aquilo que parece. Existem dias que se perdem na imensidão das suas vinte e quatro horas. Outros há em que perdemos, simplesmente, a conta às horas. Porque as horas têm sessenta minutos mas nem sempre os seus sessenta minutos são três mil e seiscentos segundos. A culpa é, indiscutivelmente, nossa. A forma como organizámos o tempo. A forma como o desperdiçamos, A forma como achamos que temos sempre o mesmo tempo quando, na verdade, não é bem assim. O tempo é, por vezes, escasso. Às vezes, incerto. Tem dias em que é tempo. Tem outros em que nem se sabe o que ele é. Mas é, sempre, certo. O tempo existe seja ele como nós queremos ou não. É dono dele próprio e não obedece a mais ninguém. Não obedece a ninguém. Porque o tempo é de toda gente e não é de ninguém. Bem, mas isto já são outras palavras soltas. ...

Palavras soltas (12/12/2014 - Ausência/ Absence)

https://www.youtube.com/watch?v=s0Ric8-4U5M As palavras soltas de hoje voltaram após alguma ausência. E existem ausências que são mais sentidas do que vividas. Existem ausências que doem mais do que magoam. Existem ausências que nos fazem recordar e outras que nos fazem lembrar. Lembrar que as devemos esquecer. E o meu coração aquece todo o meu ser ao ser aconchegado pelas asas de anjos caídos. Os quais a cada esvoaçar vão espalhando pelo mundo as penas que iluminam, com a sua brancura imaculada, os meus dias. Por todo o lado vejo penas. Colho-as. E abraço-as. Sinto-as. Respiro o ar que me invade os pulmões, enchendo-os completamente. Respiro. E o medo de não ter nada desaparece. E o medo de estar sozinha desaparece. A dor de outrora já não é mais dor. Já nem sei o que isso é. Já nem tenho a certeza de onde me doía. A ferida cicatrizou. A ferida sarou, curou, desapareceu, foi-se. E o esforço que faço para que passem a entender-me deixo-o de lado. Foi em vão. Quem gosta de mim ...