As palavras soltas de hoje querem, apenas, falar. E é a primeira vez que falam este ano. Os ventos mudam. Tal como o tempo. E as horas que passam sem nunca perguntarem se podem fazê-lo. São independentes. Fazem-no porque querem. As boas pessoas vão acabar. Vão ser colocadas em lugares mais úteis. Vão para observadores de pássaros. Enquanto houver pássaros elas terão um lugar onde ficar. E quando os pássaros deixarem de existir? Não sei. Serão colocadas em lugares mais úteis? Enquanto houver lugares que sejam úteis. Mas as boas pessoas não se importam. Não lamentam. Não se queixam. As boas pessoas vão e fazem. Fazem o melhor que podem ou conseguem. Fazem e não deixam nada por fazer. Não deixam nada para os outros fazerem. Porque as boas pessoas não têm medo. E, se o têm, guardam-no para mais tarde pensarem nele. No medo. Rasgam-se todas as folhas de papel. E as folhas das árvores que teimosamente ainda teimam em cair. Reduzi-las a pó será uma solução. E atirá-las para o mais profundo nada, para o mais profundo esquecimento. Que a cinza nos cubra a todos, que os ventos arrastem-nas até onde a tempestade quiser levá-las. Tantas folhas foram testemunhas dos meus pensamentos, sentimentos, sonhos, ... Asas que nos levam a outra dimensão. Agora que as cinzas espalham-se por todo o mundo, todo o mundo já pode pensá-los, senti-los, sonhá-los como eu outrora já pensara, sentira, sonhara, ... Tornando os meus amores e desamores, agora, não só meus mas de toda a gente. E eu não me importo. Palavras que foram reduzidas a folhas e folhas que foram reduzidas a cinzas já não podem ser mais lidas. Serão sentidas, não por mim, mas por todos. Porque, agora, já não são mais minhas mas do mundo. E eu não me importo. Raras são as vezes que me importo. Comovo-me. Comovo-me como todos. Ou quase todos. E as lágrimas não são mais do que água que corre quando o chão tem declive. Porque toda eu sou declive. E o meu eu é natural como a água, como o vento, como a cinza que se espalha pelo mundo. E como todo e qualquer bom observador de pássaros sei o meu lugar. Bem, mas isto já são outras palavras soltas. Ana Reis
Today my words just want to talk. And it's the first time they speak this year. Winds change as time. And time goes by without asking if it can. But they can because they are independent. They do it because they want to. Good people will end. They will be placed in useful places. They are going to be bird watchers. While there are birds they will have a place where to be. And what would happen to them when birds are no longer birds? I don't know. Maybe they will be placed in useful places. While there are places that are useful they will still exist. But good people don't care about. They don't regret. They don't complain. Good people just go and do. They do the best they can. They do and don't leave nothing undone. They don't leave nothing to be done by other person. Because good people aren't afraid. And if they are, they keep it inside of them so they can think of it later. Fear. Tear up all sheets of paper. And the leaves of the trees that still insist on falling. Reduce them to powder will be a solution. And throwing them into the deepest nothing, into the deepest oblivion. Let those ashes cover us all, and let winds drag it to wherever the storm wants to take them. So many leaves were witnesses of my thoughts, feelings, dreams, ... Wings that lead us to another dimension. Now
let those ashes be spread throughout the world so everyone can think, feel, dream them as I once had thought, felt, dreamed,
... Making my loves and sadnesses not only mine but of everyone. And I don't care. Words that have been reduced to leaves and leaves that were reduced to ashes can no longer be read. Will be felt, not by me, but by everyone. For now they are no longer mine but of the world. And I don't care. Rare are the times that I care. I 'm feeling sad. I have feelings like everyone else. Or almost everyone. And tears are nothing more than water flowing when the ground is sloping. Because all of me are slope. And I'am natural as water, as wind, as ashes that spreads throughout the world. And I know my place as any good bird watcher. Well, but this is already another kind of words. Ana Reis
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